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Arquitetos estreitam relacionamento no Hotel Design Meeting

Durante o evento ocorrido na Costa do Sauípe, participantes e profissionais renomados tiveram oportunidade de trocar informações e discutir as tendências da arquitetura hoteleira no Brasil.

Dia 02/12/2004       Dia 03/12/2004       Dia 04/12/2004

Relacionar. Nunca esta palavra esteve tão em evidência. Durante a realização do Hotel Design Meeting - ocorrido no Salão Gran Bahia do hotel Renaissance, em Costa do Sauípe-BA, entre os dias 2 e 5 de dezembro de 2004 -, renomados arquitetos e dezenas de participantes de todas as regiões do país conviveram com essa oportunidade inédita, proporcionada pela Câmara de Arquitetos e Consultores, com o objetivo de discutir e levantar as tendências da arquitetura e design de hotéis para os próximos anos.

André Sá, do escritório André Sá e Francisco Mota Arquitetos, autor dos projetos do complexo e dos hotéis da Costa do Sauípe, foi o anfitrião do evento que reuniu os arquitetos Gian Carlo Gasperini, Jorge Königsberger, Patrícia Anastassiadis, Roberto Candusso, além de Brunete Fraccaroli e Milton Miura - representando o escritório do arquiteto Miguel Juliano. Todos fizeram uma exposição de seus principais projetos arquitetônicos para hotéis e participaram de debates. "O que mais me surpreendeu foi que os arquitetos convidados para o evento estiveram presentes em todas as etapas, não foram palestras isoladas. Houve interação", disse Tatiana Lordelo Mendonça, arquiteta do escritório Luis Mendonça de Salvador (BA), que acompanhou a programação do evento na íntegra.

Exemplos notáveis
Uma das pretensões do Hotel Design Meeting é atualizar os arquitetos e outros profissionais do setor quanto às perspectivas do cenário que inclui o crescimento no segmento de turismo e o avanço no mercado de hotéis. Neste primeiro encontro, foram apresentados diversos exemplos de empreendimentos, tanto de resorts - voltados para lazer, principalmente do público com alto poder aquisitivo e estrangeiros -, como hotéis urbanos - que atendem à demanda de negócios no país.

"Cada um de nós conseguiu expor uma série de experiências contributivas para quem assistiu", avaliou o anfitrião André Sá, arquiteto do escritório da André Sá e Francisco Mota Arquitetos. "Para quem veio participar eu acredito que tenha sido uma satisfação e eu também estou satisfeito com o resultado. Dou parabéns a todos que proporcionaram este evento, até porque é muito complexo você movimentar pessoas quando há distância. O efeito saiu melhor do que eu esperava e acho que o caminho é por aí."

Para a realização do Hotel Design Meeting, a Câmara de Arquitetos e Consultores contou com o apoio da Bahiatursa, ABIH - Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Asbea - Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, e ABD - Associação Brasileira dos Designers de Interiores, com a empresa anfitriã Tintas Coral e com patrocínio de Cauê, Trussardi e Otis.
O próximo encontro já está sendo organizado e a divulgação da data e do local será feita no momento oportuno através do site www.camaradearquitetos.com.br.

Confira, a seguir, um resumo da programação e dos principais assuntos discutidos durante o Hotel Design Meeting:

Dia 02/12/2004

Qual é o futuro da hotelaria no Brasil? - Essa questão foi levantada por Alexandre Sampaio de Abreu, vice-presidente da ABIH - Associação Brasileira da Indústria de Hotéis e Presidente do Sindicato de Hotéis do Rio de Janeiro. Segundo ele, a mudança na legislação que está tramitando na Casa Civil, visando regularizar a hospedagem no Brasil, trará luz para esse setor. "Com a regulamentação, todo meio de hospedagem, seja ele hotel, apart hotel, flat, etc., será obrigado a ter um alvará de funcionamento, mesmo os mais antigos". Ele destacou também os desafios hoteleiros para os próximos anos, que envolverão os arquitetos e seus escritórios: a tematização, a questão de acessibilidade e a exaustão de ambientes.

Tematização: saída para pequenos - Como resolver o problema dos pequenos hotéis é um desafio que, para Sampaio, deve estar na cabeça dos arquitetos e engenheiros. "É um mercado extremamente competitivo, principalmente na área urbana. Hoje, para se hospedar, o turista procura identificar o diferenciado e aí surge uma nova perspectiva da questão da tematização de pequenos empreendimentos imobiliários, mesmo sendo urbano ou voltados para lazer, mas que tenham um diferencial no seu projeto". Como exemplo, citou o Hotel Villa Mayor, em Fortaleza (CE). "É um hotel pequeno, no centro da cidade, que hoje se mostra comercialmente interessante, pois nele foi conceituado uma situação que lembra uma casa de campo mexicana, favorecendo o trabalho de marketing."

Acessibilidade: o direito de ir e vir - Um dos grandes paradigmas dos próximos anos será a questão de acessibilidade. Segundo estimativas da OMS - Organização Mundial de Saúde, existem cerca de 610 milhões de pessoas com deficiência no mundo, das quais 386 milhões fazem parte da população economicamente ativa. No Brasil, de acordo com o Censo realizado em 2000 pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 24,5 milhões de brasileiros são portadores de algum tipo de deficiência.
Diante da expressividade deste mercado, Sampaio lembra que o arquiteto não poderá pensar no processo do incomodo e do custo para o investidor. "É uma questão que abrange projetos de todos os portes. Ademais, a legislação está ficando muito rígida e os documentos legais de cunho federal vão se deslocar naturalmente a nível estadual e municipal, exigindo a acessibilidade nos novos projetos e nos investimentos antigos."
Ele conta que foi convidado para um debate com membros de uma comissão de pessoas com algum tipo de deficiência, que citaram exemplos e sugestões práticas. "Ficou claro que é possível conciliar mobiliário interno para as necessidades específicas e do próprio publico usuário, sem necessidade de implicar em custos ou rotulação. É um mercado importante para a arquitetura. O Rio de Janeiro será sede de um evento em janeiro de 2005 que reunirá 400 pessoas com problemas de locomoção e hoje não existem 400 quartos para atender essa demanda."

Exaustão de ambiente: convívio pacífico - Fumantes e não-fumantes compõem mais um dos paradigmas da arquitetura brasileira. "A questão envolve como conciliar o direito de um e do outro num mesmo projeto, afinal o empreendedor não quer perder clientes nem no restaurante nem no hotel. A questão da ventilação e da exaustão de ar tem que ser pensada dentro das exigências legais. Para destacar projetos interessantes, que possam servir de exemplos, a ABIH, juntamente com o IAB/RJ - Instituto dos Arquitetos do Brasil, promoverá um concurso nacional em março de 2005. Esse processo do fumo envolve perda de receita no mundo todo. O Brasil não pode se dar o luxo de passar ao lado, nós precisamos estar à frente com soluções inovadoras."

Boom de quartos em SP: processo de canabalização - Após sua palestra, Alexandre Sampaio comentou sobre um assunto levantado pela platéia, referente à implantação inadvertida de quartos, que nem sempre se ocupam em São Paulo. Ele contou que nos últimos 15 anos, a capital passou por uma super oferta de flats, apart hotéis, condo-hotéis e outras denominações, muitos construídos inadvertidamente e sem nenhuma análise de retorno adequada. E hoje, a cidade possui cerca de 45 mil unidades, cuja demanda é sazonal, como, por exemplo, na semana que envolve a realização da Corrida de Fórmula 1. "O que está existindo hoje é uma canabalização da diária média paulista, que só facilita no processo de capitalização de eventos, mas a longo e médio prazos resulta em problemas como perda da receita por parte do investidor. O conceito de São Paulo acabou se espalhando por todo o Brasil. Tudo que tinha uma certa similaridade sofreu um baque e convive com essa realidade. Eu acho que o processo de crescimento tem que estar conceituado dentro de uma análise de mercado, para que haja geração de demanda e não super oferta."
O presidente da Asbea, arquiteto Jorge Königsberger, admitiu que fez muitos desses empreendimentos e, na sua opinião, flats não são hotéis. "Eu não os vejo como hotéis. Na verdade eles são conseqüência da montagem econômica e imobiliária, sem nenhum respeito ao público. Mesmo com o mercado esgotado, muitas empresas emprestaram seus nomes, suas bandeiras para credibilizar o que estava sendo produzido. Agora, tem uma quantidade enorme de produtos que foram abandonados pelas operadoras e estão saindo do mercado de hospedagem."

O anfitrião André Sá informou que em Porto Seguro (BA) também aconteceu esse boom. "Houve uma super oferta de hotéis e pousadas que se instalaram e hoje estão falindo. Já em Salvador há uma carência de hospedagem. É importante lembrar que o processo de se fazer um hotel é demorado e hoje 100% dos projetos que nós estamos desenvolvendo não são brasileiros. Os investidores agora são estrangeiros, espanhóis, portugueses, italianos e franceses. Do momento em que se pensa até a inauguração de um hotel, leva-se pela maneira mais clássica de dois a três anos. O processo de retorno é complicado, praticamente 15 anos. Portanto, o ideal é ter investidores competentes para fazer hotéis, pois a demanda existe."

Costa do Sauípe: onde São Paulo se encontra - Na seqüência, André Sá iniciou a apresentação de um dos empreendimentos hoteleiros mais significativos para seu escritório AFA - André Sá e Francisco Mota Arquitetos: o complexo Costa do Sauípe. Segundo ele, foram sete anos de trabalho intenso, entre 1993 e 2000, que exigiu a formação de uma equipe composta por 50 profissionais. "Foi um longo trabalho e neste mês de dezembro, a ocupação de Sauípe está em torno de 52%, de um total de 1650 quartos. Nós não podemos fazer nada sem mercado e este empreendimento foi projetado para brasileiros. Fizemos duas pesquisas de mercado, uma em 1994 e outra em 96, questionando qual era o melhor mercado de Sauípe. Deu Brasil. E qual era o brasileiro que viria para cá? São Paulo. Hoje, 70% são brasileiros e 60% paulistas".
O complexo de Costa do Sauípe é composto por hotéis cinco estrelas de grandes bandeiras: Marriot, Renaissance, Sofitel, Sofitel Suítes & Resorts e SuperClubs Breezes. Todos são tematizados, assim como a Vila da Praia com seis pousadas, que remetem a uma cidade antiga.

O ritual de chegada em cada ambiente foi cuidadosamente pensado pela equipe do escritório André Sá e Francisco Mota Arquitetos. "O lobby tem que causar o primeiro impacto. Ele é 70% emoção e 30% de função. Já os quartos têm que ser 70% de função e 30% de emoção."

A principal característica de um resort é a permanência prolongada e para ocupar os dias dos hospedes é preciso ter mais do que piscinas. Sauípe possui os centros de tênis, poliesportivo, eqüestre, clube náutico e o campo de golfe. "O Brasil está entrando no circuito do golfe e esse é um atrativo nos resorts."
Durante sua palestra, Sá enfatizou também a importância de uma política federal focada no turismo e lembrou que o governo da Bahia investiu muito neste segmento da economia mundial na década de 90. "Atualmente, temos cinco milhões de estrangeiros chegando no Brasil e cerca de 40 milhões de turistas domésticos brasileiros, ou seja, que se deslocam mais de 100 km a partir de sua residência. Esse deslocamento é importante e contribui para a captação de novos destinos turísticos."

Mostra de Arquitetura: valorização profissional - Após a apresentação de André Sá, um coquetel foi oferecido pela Cauê - Camargo Correa Cimentos, para brindar a abertura da "I Mostra Hotel Design Brasil", composta por painéis que retratam os projetos arquitetônicos mais representativos no Brasil, com exemplos de hospedagens tanto na área de lazer como de negócios.

A mostra será itinerante e reúne projetos dos escritórios AFA - André Sá e Franscisco Motta Arquitetos, Aflalo & Gasperini Arquitetos, Bizzi Arquitetura, Brunete Fraccaroli, Cristina Ferraz, Ivan Smarcevscki, Königsberger Vanucchi, Miguel Juliano, Roberto Candusso Arquitetos Associados, STA Arquitetura e Tânia Barreto. "Eu acho fundamental esse tipo de iniciativa para divulgar as características dos projetos produzidos no Brasil, com destaque para as áreas litorâneas", observou o arquiteto Gian Carlo Gasperini. "A escolha de Sauípe foi importante, pois serve para mostrar que a gente pode encarar os problemas, sem se deixar levar pela especulação. Serve também para os jovens arquitetos, para eles entenderem que a gente não pode ir atrás das modas. O importante é saber se posicionar na hora de negociar com o empreendedor."

Dia 03/12/2004

Pedro Álvares Cabral e a arquitetura - Aceitar desafios é uma constante na vida dos arquitetos. Assim foi com André Sá, no projeto Costa do Sauípe, e também para Gian Carlo Gasperini, que apresentou na manhã de sábado um dos projetos que compõe a "I Mostra Hotel Design Brasil". Trata-se do Club Med, localizado em Trancoso (BA). "Ele é muito significativo para as questões que a gente quer defender e que se relacionam com a defesa do meio ambiente, da própria cultura. Faz parte da implantação de exemplos e de produtos que não são unicamente norteados para a venda comercial, mas principalmente para a divulgação das atrações turísticas brasileiras."

O empreendimento foi instalado na Costa do Descobrimento, área de preservação ambiental tombada pelo DPH (Departamento do Patrimônio Histórico). Lá estão as falésias que encantaram Cabral e sua frota, relatada na Carta de Pero Vaz de Caminha. E para a obra ser aprovada, o escritório de Gian Carlos Gasperini teve que fazer uma maquete eletrônica especialmente para o DPH. "Eles pediram uma foto com a distância de cinco milhas da costa. Queriam ver como Cabral viria o Club Med."
Imprimir um caráter mais indígena no projeto foi outra imposição do departamento. "Fiz uma estrutura que lembrasse uma oca. E depois tive que explicar para os empreendedores franceses o que era isso". Após muitos diálogos e entendimento, Gasperini definiu as alterações e optou por utilizar toras de madeira proveniente da silvicultura. "São troncos de eucalipto tratados e com os encaixes definidos, feitos pela empresa fornecedora. Essa estrutura se tornou o ponto dominante da arquitetura do resort."

Estimulando a economia local - A arquitetura de interiores do Club Med foi feita pelo escritório de Patrícia Anastassiadis. Sua proposta foi utilizar referências que lembrassem o hóspede onde ele estava. "Fomos até Trancoso para pesquisar. Pegamos o carro e quando víamos uma casa com produtos artesanais, parávamos e assim fomos descobrindo a produção local. Esse trabalho movimentou a economia local. Onde o turista olha, ele vê um detalhe criado por artesões. São cerâmicas, luminárias, puxadores e outros objetos feitos com sementes, palha de dendê e outras matérias-primas. Toda madeira utilizada nos interiores é de demolição."
Nos restaurantes, a arquiteta optou por criar climas em cada ambiente tendo como referencia os elementos da natureza: água, ar, terra e fogo. "Em todo o projeto utilizei elementos que somados criam uma história e imprimem a personalidade de Trancoso."
Ela apresentou também outros projetos hoteleiros como o Botanique Hotel Gourmand, que está sendo feito em Campos de Jordão (SP) e o Hotel Lycra (SP) para exemplificar a arquitetura em busca de resultados.

Piso cerâmico: assinar ou não - Durante sua palestra, Patrícia Anastassiadis disse que está desenhando uma linha de piso para uma fábrica. "Eles queriam colocar meu nome, mas eu não quero. Não sei se outros arquitetos vão querer usar. O João Armentano lançou e vendeu muito, mas tem gente que não especifica nomenclatura."
Roberto Candusso revelou que seu escritório também está desenvolvendo uma linha. "Eu acho uma oportunidade gratificante, porque quando nós especificamos um material, atestamos padrões feitos lá fora."
Na opinião de Brunete Fraccaroli, sua colega de profissão deve experimentar. "Não acho que os arquitetos tenham aversão de usar uma linha assinada. São poucos. Eu acho que assinando você vai motivar as pessoas que estão começando e outros arquitetos a usarem o seu produto. No balanço da vida você vai ganhar. Eu vou especificar sua linha."
Jorge Königsberger lembrou que a parceria entre a industria italiana e arquitetos é produtiva. "Acho fundamental que a gente assine e desenvolva uma sensibilidade nas indústrias. Então se a gente se esforçar para desenvolver uma cultura de autoria com relação ao design brasileiro a gente vence essa situação de que arquitetos não especificam produtos de outros arquitetos."

Desafio de pegar o bonde andando - Na seqüência, Brunete Fraccaroli fez uma breve apresentação de seu atual projeto de arquitetura para interiores. "Recebi a proposta de decorar o resort Praia da Pipa, empreendimento de um grupo de Portugal, quando ele já estava acontecendo. Tive que buscar soluções para adequar aos ambientes já definidos". No restaurante, a arquiteta estará colocando cadeiras e luminárias que facilitam a mudança, através de cores - pink ou amarelo. Para diferenciar os quartos, fotos retratam a natureza brasileira.

Futuro dos resorts: tropicalização - A responsabilidade com a preservação do meio ambiente e a satisfação dos clientes são fatores que formam a tendência dos futuros resorts. Na opinião de Brunete, para imprimir essa tendência, os arquitetos têm que ter um posicionamento brasileiro. "Acho absurdo a cópia e a climatização. Temos que tropicalizar, fazer um produto mais forte e verdadeiro e o design de interiores é o caminho para a hotelaria, para implantar nossas características. Internacionalizar não. O mercado do luxo existe e temos condições de fazer o luxo Brasil, extravagante inclusive."

A ABD - Associação Brasileira de Arquitetura e Design de Interiores, que a arquiteta preside, está lutando para reconhecer a profissão. "Temos três mil associados, dos quais 40% são arquitetos, os demais são designers formados ou têm um curso reconhecido pela ABD. Temos muitas faculdades de arquitetura e de decoração no Brasil, mas, em ambos os casos, precisamos ter uma melhor qualidade na formação. Só assim vamos sepultar de vez essa coisa de linha divisória entre arquitetos e decoradores. Isso não existe. Se o designer for bom, ele vai ficar em contato com o arquiteto. Tem que ser um trabalho em conjunto."

Visita guiada: olhando os bastidores - Após o almoço e antes da visita guiada pelo Complexo Costa do Sauípe, os participantes conferiram uma rápida palestra com o engenheiro Gerson Sampaio Filho, diretor da Aureside, que falou das facilidades do gerenciamento de energia para reduzir os custos e controlar o consumo sem alterar o desempenho. "Hoje os hotéis gastam de 5 a 7% do faturamento com energia elétrica. É o segundo maior custo de um empreendimento hoteleiro. O uso da tecnologia pode torná-lo mais rentável, competitivo e moderno."
Depois, o arquiteto André Sá conduziu o início da Visita Guiada de Arquitetura, um programa promovido regularmente pela Câmara de Arquitetos e Consultores. O roteiro incluiu os bastidores dos hotéis do complexo Costa do Sauípe, começando pelo Marriot até a Vila da Praia. Foram feitas visitas na câmara de refrigeração dos alimentos, cozinhas, restaurantes, salões de eventos, lobbys e diversos quartos. André mostrou e explicou cada detalhe, fotografado pelos participantes, e respondeu prontamente todas as dúvidas.

Dia 04/12/2004

Edifícios de uso misto - O presidente da Asbea, Jorge Königsberger, abriu a manhã do sábado com exemplos bem sucedidos de edifícios de uso misto, projetados por seu escritório, Königsberger Vanucchi. O público assistiu a apresentação dos projetos Transamérica, Caesar Towers, edifício Metrópolis, Times Square, Stadium, todos em São Paulo e região. "O Times Square foi realmente o primeiro empreendimento dessa fase de uso misto na capital. Ele é composto por dois edifícios de hospedagem e um de escritório, alem de uma praça que introduziu o conceito de espaço privado público, de difícil implantação numa situação de neurose urbana que nós vivemos, mas que se mostrou bem sucedido. O objetivo foi convidar as pessoas a entrarem num ambiente de interesse comercial."

O Stadium, localizado na principal avenida do Centro Comercial de Alphaville (SP), também tem características interessantes. "O empreendedor queria um edifício monumento, com flat, hotel e edifício de escritórios. No revestimento utilizamos massa e elementos horizontais metálicos. Formou uma arquitetura móvel, a pessoa passa na avenida e o edifício vai se transformando conforme a variação de luz."

Solução pré-fabricada - O arquiteto Roberto Candusso trouxe para o Hotel Design Meeting a tecnologia de edificações chamada Modulus, cuja patente foi requerida, mas que está disponível para utilização em qualquer projeto arquitetônico. "Funciona como peças que se encaixam numa linha de montagem. Para fazer, fui atrás do vilão dos arquitetos: o corredor. Surgiu então a idéia de se colocar o banheiro como fachada e estrutura do prédio. Nele, o banheiro chega completamente pronto ao canteiro da obra, inclusive com a hidráulica, elétrica e acabamento pré-executada, descomplicando a obra."

Candusso foi também pioneiro na implantação de um empreendimento hoteleiro em frente ao Rio Negro, o Hotel Tropical, de Manaus (AM). "Eles tratam o rio como uma praia. Quando cheguei lá vi que não existia nada de frente para o rio. Me sinto lisonjeado por ter sido primeiro. Fiz uma piscina de rumo infinito. Os hóspedes ficam na sua borda assistindo o pôr-do-sol ."

Glamour repaginado - A última palestra do Hotel Desing Meeting foi do arquiteto Milton Miura, que representou o escritório de Miguel Juliano. "Trabalhamos juntos quase três décadas e participei dos principais projetos de seu escritório. Pra mim é uma honra representá-lo". Ele mostrou detalhes da restauração e reestruturação do Hotel Holiday Inn Select Jaraguá, edifício desenhado por Jacques Pilon e Franz Heep, inaugurado em 1953 e protegido pelo patrimônio histórico.

O antigo Hotel Jaraguá, que abrigou a sede do jornal O Estado de São Paulo e da Rádio Eldorado, é um símbolo da arquitetura modernista em São Paulo. "Ele recebia hospedes como presidentes, artistas de renome internacional, todo mundo queria se hospedar lá.". Sua fachada foi preservada. "Foram restaurados os brises metálicos, que ganharam a cor original - azul e areia -, o painel de pastilhas de vidro feito por Di Cavalcanti e o relógio do topo do edifício."

Memória: o início de Gasperini - A apresentação de Miura fez Gasperini lembrar de um episódio ocorrido no início de sua carreira. "Eu 1952, vim para São Paulo e fui trabalhar no escritório de Jacques Pilon, que era o maior arquiteto daquela época no Brasil, um empreendedor culto e bem relacionado. Substitui o Franz Heep, que tinha saído para trabalhar por conta própria e depois voltou pra Europa. Eu assumi uma responsabilidade muito grande. Com Pilon, aprendi muito dos conhecimentos que tenho hoje. Quando entrei no escritório, o projeto do Hotel Jaraguá estava pronto eu acompanhei a conclusão dessa obra. Quem detalhou o relógio fui eu. O Jacques tinha feito um desenho que era muito bonito, mas não estava detalhado. Eu estava assustado porque era recém-formado e nunca tinha visto uma coisa daquele tamanho na minha vida. Um dia, fui até o hotel. Tinha que verificar alguma coisa que estava sendo feito. Pegamos o elevador de obras até o último andar e tinha um poço interior no edifício, com umas tábuas para passar de um lado para outro. Eu atravessei e quando olhei para trás o mestre de obras e o engenheiro estavam com cara de espanto. Olhei para baixo. Tinham tirado a grade de sustentação e eu passei naquele vão. E pra voltar? Voltei engatinhando. Foi minha primeira grande experiência e ficou gravada. Memória é uma coisa importante e com os anos ela precisa ser reavivada e fiquei muito feliz de ver esse trabalho feito pelo escritório Miguel Juliano."

Jantar azul e branco - Um bate papo descontraído e um coquetel oferecido pela Câmara de Arquitetos e Consultores no Centro de Golfe marcou o fim de tarde dos participantes do Hotel Design Meeting. Na clínica de golfe, Jorge Königsberger, jogador hábil e experiente, venceu seu desafiante, o diretor da Câmara de Arquitetos e Consultores, o arquiteto Antonio Macedo Filho.
À noite, a empresa anfitriã do evento, Tintas Coral, promoveu o jantar azul e branco aberto aos participantes e acompanhantes, encerrando oficialmente as atividades do encontro.

Contato direto com público-alvo - Para que o Hotel Design Meeting atingisse o sucesso almejado e seus objetivos, a Câmara de Arquitetos e Consultores contou com empresas que apoiaram a idéia desde o início. É o caso da Tintas Coral, anfitriã do evento. "Quando fomos convidados para participar houve uma aceitação rápida porque a Coral vem a cada dia querendo se aproximar mais dos profissionais. Se o arquiteto tem o respaldo de uma empresa que prima pela qualidade de seus produtos, ele não vai ter problemas na obra", informou a arquiteta Bianca Tognollo, supervisora de serviços especiais da empresa, que em 2004 abriu suas portas para arquitetos e realizou visitas à fábrica, como parte das comemorações dos 50 anos de atividades no Brasil. "Achei o tema do Meeting importante porque um projeto de hotel envolve uma gama muito grande de coisas e nós temos que conhecer as tendências de todas as áreas de arquitetura e design, pra saber o produto que vamos colocar no mercado."

A oportunidade de se relacionar com os arquitetos também atraiu a Cauê, do grupo Camargo Correa Cimentos, uma dos patrocinadores do Hotel Design Meeting. "A Cauê fez questão de estar neste evento porque acredita que é muito importante esse contato direto com o profissional. Trabalhando juntos, visamos implementar a qualidade dos produtos e das construções. Oferecemos todo apoio tecnológico necessário para especificar nossos produtos, através do nosso programa de relacionamento Circulo Cauê de Arquitetura", destacou a arquiteta Cristina Wehba, responsável pelo Circulo. "Uma coisa muito interessante do Hotel Design Meeting foi incluir na programação um espaço reservado para as discussões de temas importantes para a arquitetura. Temos como filosofia na empresa fomentar o desenvolvimento dos debates. Tanto que em 2005, vamos expandir as ações do Circulo Cauê de Arquitetura para outros Estados, em parceria com IAB e Asbeas regionais", antecipou.

A Trussardi, também patrocinadora do evento, apontou o relacionamento como o ponto forte do evento. "Nós não sabíamos o que ia ser o Hotel Design Meeting, mas resolvemos participar com base nos que nos foi apresentado, pois arquitetos formam um público que nos interessa muito, principalmente os de arquitetura e design de interiores, que especificam para hotéis e resorts, de primeira linha. Concluímos que foi realmente válido. Fizemos bons contatos, ganhamos conhecimento, divulgamos mais a nossa marca e tenho certeza que vamos fazer bons negócios", declarou Mônica Pires, representante de hotelaria a nível nacional.

Reportagem e Texto:
Regiane Lúcia Damasceno - redama@terra.com.br

Fotos:
Valter Pontes - www.coperphoto.com.br



Mais informações (Hotel Design Meeting e Mostra Hotel Design Brasil):
Tel/fax: (11) 3868 3090
E-mail: meeting@camaradearquitetos.com.br

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Desenvolvimento e Atualização:
Enzo S. Carità

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