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A
hora e a vez da hotelaria brasileira
Para
quem vive em São Paulo a nacionalidade não é
algo que faça diferença. Afinal foram os portugueses,
os espanhóis, os italianos, os japoneses e tantos outros
que ajudaram a construir essa cidade que reproduz o globo terrestre
com maestria.
A
hotelaria também é uma atividade que, lidando com
tanta gente o tempo todo, já perdeu a noção
de nacionalidade de há muito. Talvez uma das poucas atividades
que já eram globais antes da globalização.
Nesse
ambiente universal penso ser o momento adequado para chamar a atenção
dos hoteleiros que trabalham no Brasil: chegou hora!
O
Brasil viveu até 1994 um mundo à parte. Donos do capital
investiam na hotelaria. E o capital sempre foi um bem tão
escasso, desde o descobrimento do país, que a maioria dos
investidores hoteleiros não tinham muito risco. Como a oferta
movia-se pouco qualquer movimento da demanda era sempre aceito pelo
mercado ou mediante lotação da nova oferta ou mediante
incremento das tarifas.
Após
1994 o Brasil é outro. Após o Plano Real vários
investidores quiseram participar de negócios de baixo risco
e de longo prazo. Os imóveis foram os grandes destinatários
do capital.
Segundo
a Jones Lang Lasalle hoje há mais de 240 mil metros quadrados
vagos de escritórios classe A em São Paulo (representando
taxa de vacância de 31%). Para se ter idéia de como
esse mercado mudou, em 1996 a cidade de São Paulo totalizava
214 mil metros quadrados de escritórios de alto padrão
e a taxa de vacância era de 11%.
Não
precisamos falar dos hotéis. Segundo levantamento recente
do Núcleo de Turismo da FGV a taxa nacional de ocupação
hoteleira dos meios de hospedagem pesquisados atingiu 49% em outubro,
53% em novembro e 52% em dezembro. Cidades como São Paulo
e Belo Horizonte estão abaixo da média.
Ainda
que a hotelaria não possa ser definida como negócio
imobiliário, mas sim de base imobiliária, sendo altamente
dependente de capacidade de gestão, é comum assistir-se
à grande produção de imóveis, incluindo-se
aí os hotéis, quando há grande disponibilidade
de capital.
Os
EUA, durante a década de oitenta, passaram por situação
similar pelos mesmos motivos: disponibilidade de capital e incentivo
ao mercado imobiliário.
O que ocorreu por lá? Poucas empresas administradoras de
hotéis cobravam caro pelos seus serviços de operação
hoteleira. Muitas delas estavam acomodadas e geravam poucos resultados.
Isso incentivou o surgimento de novas empresas administradoras.
Os
hoteleiros talentosos apareceram. Investidores juntaram-se a hoteleiros
capazes e o mercado passou a contar com uma diversidade de empresas:
administradores hoteleiros regionais, administradores hoteleiros
independentes (sem marca), administradores hoteleiros afiliados
a marcas de terceiros, administradores hoteleiros locais, etc.
A
hotelaria é atividade que cada dia mais exige de seus gestores
as técnicas mais modernas de administração
e grande capacidade de inovação.
Chegou
a hora e a vez da hotelaria brasileira. Quem não notar a
diferença pode não sobrar para ver o que passou...
Autor:
José Ernesto Marino Neto, ISHC, é fundador e presidente
da BSH International, Professor de Gestão de Ativos Hoteleiros
da EBAPE/FGV, membro da International Society of Hospitality Consultants,
membro do Conselho Consultivo do Centro de Hospitaildade, Turismo
e Administração de Esportes da Universidade de Nova
York e membro do Conselho Consultivo Global da Hotels' Investment
Outlook.
Fonte:
www.bshinternational.com

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